segunda-feira, 3 de abril de 2017

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Os dias de viagem estavam se findando. 
O Velho estava cansado de procurar presentes em suas viagens, mas nada.  
Nenhum sinal evidente de que o presente pudesse ser significativo aos seus filhos. 
Se não todos, pelo menos a um. O Herdeiro de suas responsabilidades.


E quantas eram. Só os seus súditos conheciam parte de toda aquela sobrevivência imensa de todas as coisas sobre Terra e em questões do Universo.

Durante sua viagem, pode fazer o ultimo analise e cronograma, da personalidade de seus filhos. 
Nas horas vagas de pensamento, retirava um mapa velho e de infância dos pequenos e começava a completar-lhes cada detalhe. Os retoques que iam se definindo no caminho, com suas reações peculiares. Como gostava ele de analisar e lembrar do valor de cada uma delas.


• O Condez Aparecido Regis, o filho mais velho, quase que não vive direito. Sempre doente e impossibilitado de muitas atividades comuns. Pouquíssimas vezes o Pai o via. E nem sempre o moço se apercebia disso. Regis renunciou seu reinado, havia o feito, com o direito de primogenitura desde criança e bebê. Nunca se sentira capaz de tomar conta dos negócios do Pai e sabia que sua saúde não era completa. Preferia viver em Paz, sem a cobrança de todo o Reino. Então numa manhã tranqüila de decisões, o filho passou os seus direitos adiante. Nem por isso, o Pai desconsiderava que ele era o primeiro. Porém sabia que o Trono lhe fora renunciado.

• Já o Condez Isaque Correios, veio para compensar toda a tristeza do Velho. Bonito, formoso a vista, de altura apresentável, cheio de conhecimentos. Era o filho que entendia todo o olhar do Pai. Sem antes que falasse, sabia como o Pai pensava e queria. Era entendido por demais. Em pouco tempo, dava-se a entender que o seu Reinado lhe pertencia. Não havia nada que faltasse em Isaque. Ele era preparado para o Reino. Mas o jovem aprendera sempre a realizar muitos afazeres, e com eles, o vício da demasiada e trágica ocupação, esqueceu do seu tempo de coração com o Pai. Esqueceu-se dos prejuízos de não discernir os tempos. Tinha tudo, usufruía de tudo, sabia manejar bem uma espada e toda a instrução do Reino em suas Leis, mas não conhecera a proximidade mais Fiel do Coração, com o velho sábio. Não tinha tempo para seu Pai. Era muito ocupado e cheio de preparações e projetos. 

Logo o Pai percebeu que talvez não poderia também contar com Condez Correios, o tempo do Coração havia passado, estava esvaindo sem controle.


Tais acontecimentos fizeram do velho a pensar e encontrar tamanha Beleza no Terceiro Filho: 
• Condez Inocente Kristersen,  Homem ponderado. Calado, sem muito sinal ou reação. Mas a tudo atentava, confiava nos ensinos e obediente plenamente as ordens que recebia. Sua Fidelidade era impressionante, parecia a pureza do nascer. Fidelidade esta que valia sempre, milhões de vezes, mais que Ouro puro e do mais Fino. Mas o Pai não soube entender o silencio do Filho, também a sua falta de ação própria por adquirir o que lhe era por direito. O tempo também passou para este Cortez, e o que o Pai esperava que talvez o moço fizesse e fosse atrás, não lhe sobreveio noticia ou ação alguma. Não tinha como esperar mais, a não ser seguir dia a dia, seguir a ver quem era o escolhido e dar a liberdade ao filho de viver os seus dias.

Não bastasse a reverencia de um, e o respeito de consideração silenciosa, causava o espaço e dava a liberdade para outro se expressar: 
• Assim Condez, Repentino Aureo, o filho disposto totalmente, mas displicente, decidiu tomar a cena, e atenção do Pai. Sua forma surpresa de insistir, parecia a Aurora da manhã, no nascer de uma bela esperança, mas tão rápida e breve, mais que passageira, que se vai. Assim, Repentino sempre apressado e objetivo no que queria, nunca tinha tempo para ouvir o que realmente o Pai queria o instruir. Não tinha tempo para aprender, e achava que não necessitava dos ensinos do Pai, e de nenhuma outra instrução para o Reino. Tão dono de si mesmo que passou a ser  o Conde que nunca completara o que iniciava, e nunca se promoveu, sempre procurava esquivar-se do encontro com o Pai em seus ensinos. E fugindo de toda população do Reino. Provocando uma certa distancia com o passar do tempo, enorme. Uma tristeza no Pai, de ver que de nada adiantou a chance de uma oportunidade para tanta disposição. Ele não abrira o coração para a verdadeira preparação.


Com os olhos cheios de lágrimas, cansado de tanto viajar, o velho cheio de Emoções diferenciadas umas das outras, pelos seus filhos, vê as escritas de Eduardo Certeiro, O Cuidadoso, bom ouvidor.  
• Cortez Certeiro, tinha esse nome, porque gostava de treinar o alvo de suas flechas. Poucas vezes as usava, e só quando alguma circunstancia era manifestada a ele, nunca que ele provocasse mal comportamento. Porém manter os olhos atentos, treinados e fixos ao alvo, era uma das máximas analises constantes de Conde, que se tornou Certeiro no tempo certo de tudo o que fazia. Falava um tanto bom, excelente nas horas precisas de decisões, mas gostava muito mais era de se atentar ao que estava a ouvir. Ouvir e atentar era um segredo que Certeiro aprendera desde pequeno. As mínimas reações significavam e falavam muito alto para ele.  Isso porque Conde Eduardo era o filho mais próximo do Pai, o via sempre e acompanhava todos os seus passos, ainda que o Pai não o chamasse diretamente, sabia do seu dever de analisar e acompanhar o que o Pai fazia e isso lhe trazia toda uma preparação necessária. A Fidelidade e permanência do menino, o formou em todo o silencio e quietude de Espírito. Não entendia porque o Pai nunca o chamava para perto. Embora nunca o recusasse também. Mesmo assim continuava em seu dever corretamente. 



O velho via tudo o que Filho fazia, mas não se manifestava, porque tinha outrora no seu coração que o Reino pudesse ser dos Filhos mais velhos. E não podia o Sábio Pai, criar uma esperança falsa no garoto, observava tudo e permanecia calado.

Mas naquela tarde, não fora assim.. O Cansaço da viagem, a decepção por nada encontrar como presente a seus filhos, o dever de voltar para o reinado com mãos vazias e a tristeza por não ver em suas escolhas a completa definição de seu Herdeiro, nem a Esperança do Futuro para seu Reinado, lhe causavam uma carga de emoções tão diferentes ao mesmo tempo que o velho não sabia como sustentar todas elas e escrever o cronograma para Condez Eduardo. Uma lágrima cai em seus olhos, quando o velho pergunta para si mesmo: 

- Será este  o meu Herdeiro? O meu mais novo Filho, o que foi até meu companheiro de silencio a vista?  

Pouco tempo, poucas forças, muito cansaço e grandes assuntos para resolver e nenhum sinal definitivo a vista. 

Todas as outras atenções e esforços se acabam. A Luz da lamparina quase a se apagar já nas altas horas da noite, quando as atenções só tem apenas um destino. Todas as distrações se foram e as tentativas de esperanças se foram. 

Em suas mãos estava o cronograma de Eduardo. Entendia o velho sábio que de todas as tempestades, o que ficam em nossas mãos e coração, são as essencias.

De todos o que lhe findou aos projetos, as esperanças de suas mãos, ao sorriso puro do porvir. – Porque não dar oportunidade para meu Filho Eduardo Certeiro ? -  Afinal ele sempre me ouve! E por sinal, com muito carinho e muito bem! Os outros tiveram tanto da minha dedicação, porque não cuidar deste meu Filho que deixei por tanto tempo sem ver? 


Sorriu o velho, enquanto seus olhos adormeciam, rindo de si mesmo, com uma pequena teimosia de esperança, vendo que ela não morreu. Talvez seja agora, quando não há mais forças em mim, é que a vida vai me retornar o Herdeiro do Trono. Pensou o Sábio, quando adormeceu,  na espera do outro dia.  




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